Face ID parou de funcionar após troca de tela — por que acontece e como resolver

A maioria dos casos onde "o Face ID some" depois de uma troca de tela é evitável. Existem 3 cenários técnicos — em 2 deles ainda dá para recuperar.

Neste artigo
  1. Como o Face ID realmente funciona
  2. Por que ele "some" depois de uma troca de tela
  3. Os 3 cenários técnicos — qual é o seu
  4. Quando ainda dá para recuperar (e como)
  5. Como evitar antes de aprovar a troca

"Fiz a troca de tela, peguei o aparelho, em casa fui cadastrar meu rosto e o iPhone disse que Face ID indisponível. Falaram que esse modelo perde o Face ID na troca. É verdade?"

Esse é, de longe, o caso mais comum que recebemos para segunda opinião. A resposta curta: não, não é verdade. O Face ID pode ser preservado em qualquer iPhone, desde que a troca seja feita com a transferência correta do componente. Os casos onde ele "some" são de 3 tipos diferentes — e dois deles ainda têm solução.

Como o Face ID realmente funciona

Diferente do Touch ID antigo (que era um sensor único na home), o Face ID depende de um conjunto de sensores chamado TrueDepth Camera. Ele fica alojado no entalhe (notch) ou na Dynamic Island do iPhone — não no display. São 4 componentes-chave:

Esses 4 sensores estão ligados por um único flex circuit, que sai do conjunto TrueDepth, passa por trás do display antigo e vai conectar à placa lógica. Cada flex é casado eletronicamente com a placa do aparelho — não é peça intercambiável.

Por que ele "some" depois de uma troca de tela

Aqui está o nó da questão: na troca de tela, o display antigo sai e um novo entra. O flex do TrueDepth precisa ser cuidadosamente transferido do display velho para o novo. Se isso não for feito corretamente, o Face ID para de funcionar.

E "cuidadosamente" significa equipamento específico. O flex é colado ao display com adesivo que aguenta calor. Para soltar, sem rasgar, precisa de uma máquina de descolamento controlado a temperatura. Sem essa máquina, o técnico só tem duas opções:

  1. Forçar com pinça e calor de secador — rasga o flex em 90% dos casos
  2. Deixar o flex do display novo (que vem genérico, sem casamento eletrônico com a sua placa) — não funciona

Em qualquer um dos cenários, o resultado é o mesmo: o aparelho volta com "Face ID indisponível". Aí o cliente recebe a justificativa: "esse modelo perde Face ID na troca de tela" — quando, na verdade, foi a assistência que não tinha o equipamento adequado.

Os 3 cenários técnicos — qual é o seu

Cenário 1 — Flex do TrueDepth danificado na transferência

Sintoma: aparece "Face ID indisponível" ou "Mova o iPhone um pouco mais para baixo / cima" infinitamente. Câmera frontal pode ou não funcionar.

Recuperável? Sim, em laboratório. Precisa abrir, identificar onde o flex rompeu, e fazer microsoldagem para reconstrução. Custo entre R$ 350 e R$ 650 dependendo do ponto.

Cenário 2 — Flex foi substituído pelo do display novo

Sintoma: idêntico ao cenário 1. A diferença está em como foi resolvido. Aqui o técnico não transferiu o flex original — usou o flex do display novo (que vem genérico).

Recuperável? Sim. Basta recolocar o flex original do aparelho no display que está instalado. Se o flex original ainda estiver intacto e a assistência guardou, é troca simples (R$ 150 a R$ 250). Se foi descartado, precisa pegar de outro aparelho compatível (mais caro).

Cenário 3 — Sensores TrueDepth quebrados fisicamente

Sintoma: pode ser combinado com câmera frontal não funcionando, sensor de proximidade quebrado, problemas na lanterna frontal. Geralmente acompanhado de queda forte antes da troca.

Recuperável? Parcialmente. O conjunto TrueDepth completo tem chip individualizado por aparelho — não é substituível por peça nova de prateleira. Recuperação completa do Face ID nesse cenário só é possível com transplante de um conjunto de aparelho compatível, e o custo geralmente não vale o investimento.

Quando ainda dá para recuperar (e como)

O passo zero é o diagnóstico

Antes de aprovar qualquer "novo reparo", peça que abram o aparelho e identifiquem em qual dos 3 cenários você está. Esse diagnóstico em laboratório especializado costuma ser gratuito (na Green Tech é).

Se o diagnóstico identificar cenário 1 ou 2, há solução. O processo:

  1. Abrir o aparelho e remover o display instalado pela assistência anterior
  2. Identificar o flex — se quebrado: microsoldagem; se substituído: pegar o original
  3. Transferir corretamente com máquina de descolamento controlada
  4. Refazer vedação (que provavelmente também foi mal feita)
  5. Testar cadastro de rosto novo

Prazo: 1 a 3 dias úteis. Garantia documentada de 90 dias sobre o serviço refeito.

Como evitar antes de aprovar a troca

Se você ainda está pesquisando para fazer a troca pela primeira vez, três perguntas são suficientes para não cair no problema:

Pergunte antes de aprovar

1. "O Face ID será preservado?" — a resposta certa é "sim, transferimos o flex original".
2. "Vocês têm equipamento de transferência de flex?" — se enrolarem na resposta, fuja.
3. "Se o Face ID falhar, vocês refazem sem custo dentro da garantia?" — precisa ser sim, por escrito.

Face ID parou depois da troca? Faz o diagnóstico aqui.

Identificamos em qual dos 3 cenários você está — gratuito, sem compromisso de aprovar nada.

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Sobre o autor: Equipe técnica Green Tech, laboratório de reparo avançado em Botucatu desde 2017. Especializada em microsoldagem e casos complexos que outras assistências recusaram.

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